Ei-los
Que Partem
Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos.
Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados.
Virão
um dia
ricos
ou não
contando
histórias
de
lá de longe
onde
o suor
se
fez em pão
virão
um dia
ou
não.
Manuel Freire
Revolução
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
Sophia de Mello Breyner Andresen
Os
medos
É a medo que escrevo. A medo
penso.
A medo sofro e empreendo e calo.
A medo peso os termos quando falo
A medo
me renego, me convenço
A medo amo. A medo me pertenço.
A medo repouso no intervalo
De outros medos. A medo é que
resvalo
O corpo escrutador, inquieto,
tenso.
A medo durmo. A medo acordo. A
medo
Invento. A medo passo, a medo
fico.
A medo meço o pobre, meço o rico.
A medo guardo confissão, segredo.
Dúvida, fé. A medo. A medo tudo.
Que já me querem cego, surdo,
mudo.
José Cutileiro



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