quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Anel Mágico

Há muitos, muitos anos, numa casa muito pequenina, vivia um alfaiate que tinha três filhos.
Os dois filhos mais velhos trabalhavam do nascer ao pôr-do-sol, a ajudar o pai na confeção dos fatos.
O mais novo, como era muito inteligente, andava na escola e tinha como professor o padrinho que, era o maior Mestre das Artes Mágicas – era um feiticeiro muito mau.
Os anos foram passando e, um dia, os filhos mais velhos disseram ao pai:
- Querido pai, nós gostamos muito de si mas, estamos fartos de trabalhar para ajudar o nosso irmão a estudar. A partir de agora ele terá que trabalhar como nós, usando aquilo que aprendeu.
O pai conversou com o mais novo e contou-lhe o que os irmãos tinham dito.
O rapaz logo se pôs de acordo, dizendo:
- Amanhã tornar-me-ei num cão de caça. O pai virá comigo às lebres e terá o dia ganho. Mas, para isso, preciso que me arranje um açaimo.
O pai assim fez e colocando-lhe o açaimo, depressa o rapaz se transformou num lindo cão de caça. No final do dia tinham um saco cheio de lebres.
Foram a casa de um comerciante muito rico para as vender, mas o comerciante ao ver tantas lebres insistiu em comprar o cão. O pai aceitou a oferta e entregou o cão.
Dias mais tarde o comerciante foi à caça. O cão, ao ver uma lebre, correu atrás dela e ficou preso nuns arbustos.
Vendo que estava sozinho, tirou o açaimo e de novo se transformou no rapaz.
O comerciante, intrigado com a demora do cão, foi procurá-lo.
Encontrou o rapaz e perguntou-lhe:
- Não viste por aqui um cão de caça?
- Ver não vi, mas quando passei naqueles arbustos ouvi um barulho. Se calhar era o cão que o senhor procura! Mas olhe, não se aproxime daquele lugar porque está lá um buraco tão fundo que quem lá cai nunca mais volta.
O comerciante, assustado, foi-se embora lamentando o dinheiro e o cão que tinha perdido.
O rapaz voltou para casa e disse ao pai:
- Arranja-me um freio para que eu me transforme num cavalo.
O pai assim fez e, ao colocar-lhe o freio, logo ele se transformou num lindo cavalo.
Contente e vaidoso, lá foi o pai passear montado no cavalo.
Passou à porta do Mestre das Artes Mágicas que, mal olhou para o cavalo, logo percebeu que era o seu afilhado e aluno que ali ia transformado.
Furioso por ver que o afilhado o ultrapassava na magia disse ao pai:
- Dá-me o teu cavalo que em troca eu dou-te um saco de ouro.
O pai fez logo o negócio e entregou o cavalo ao Mestre.
Ora acontece que o Mestre tinha três filhas muito curiosas e, antes de prender o cavalo na estrebaria disse-lhes:
- Nenhuma de vós pode entrar na estrebaria, enquanto este cavalo lá estiver.
As filhas concordaram mas, assim que o pai se afastou, correram a ver o cavalo.
Surpreendidas, viram que toda a comida estava intacta, ou seja o cavalo não comia.
- Coitadinho, – disse a mais velha – vamos tirar-lhe o freio a ver se ele come.
Assim que lhe tiraram o freio o cavalo transformou-se no rapaz, que ao vê-las gritou:
- Ai de mim pássaro. - e logo se transformou num melro que fugiu pela janela.
Voava o melro sobre o jardim da casa quando o Mestre o viu e depressa gritou:
- “Ai de mim águia”.
O Mestre, agora transformado em águia, voou em perseguição do melro que quando percebeu que ia ser apanhado gritou:
- “Ai de mim anel”.
Neste preciso momento, o melro voava sobre o mar e ao transformar-se em anel caiu direitinho na boca de um carapau, que acabava de ser apanhado nas redes de um pescador.
O pescador quando viu um carapau tão grande achou por bem ir oferecê-lo ao palácio, para a ceia real.
Quando o cozinheiro abriu a barriga do carapau, a Princesa viu o anel a brilhar e quis ficar com ele.
A partir deste dia, foi este o anel preferido da Princesa.
À noite, quando se ia deitar, tirava o anel e colocava-o numa mesa e ele… transformava-se no rapaz que tentava conversar com a Princesa mas esta, aterrorizada, gritava tanto que o rei corria esbaforido para o seu quarto. Quando lá chegava já o rapaz se tinha transformado numa formiga que estava escondida debaixo da cama.
Rei e Princesa ficavam sem perceber o que tinha acontecido.
Durante três noites se repetiu esta cena e na quarta noite o rapaz conseguiu dizer à Princesa:
- Princesa, Princesa não grites. Eu sou o rapaz do anel mágico e devo informar-te que o Rei, teu pai, está muito doente. A única pessoa que é capaz de o curar é o Mestre das Artes Mágicas. Quando o Mestre aqui chegar vai pedir-te como pagamento o anel mas tu, por favor, não lho dês. Atira-o ao chão.
Tal como o rapaz tinha dito, o Mestre foi ao palácio, curou o rei e exigiu como pagamento o anel.
A princesa recusou-se a dar-lho e como o feiticeiro insistia ela atirou-o ao chão.
Assim que o anel tocou no chão ouviu-se um grito:
- Ai de mim arroz.
O Mestre, ao ver o arroz espalhado no chão, transformou-se numa galinha para o poder comer, mas o arroz transformou-se em raposa e comeu a galinha.
Comido o Mestre, a raposa transformou-se no rapaz.
O rei, grato pela cura, pediu-lhe que casasse com a Princesa.
Ele, muito contente, aceitou logo, mas com uma condição: que o pai e os irmãos viessem morar para o palácio.
O rapaz e a Princesa casaram e foram felizes para sempre e os seus irmãos foram nomeados cavaleiros do reino.

Adaptação de uma história tradicional

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